Academia vs. Poecodebar

"Eles são piores que o papel higiênico"


 "Nas suas palavras ensebadas, eles acham que guardanapos valem mais do que a nossa famosa Academia. Em represália, classifico-os piores que o papel higiênico".
 Assim reagiu a presidenta da Academia Paraibana de Poesia, professora Helena Raposa Carneiro da Cunha ao "Manifesto Poecodebar", lançado segunda-feira passada pela manhã na Sala Preta do Departamento de Comunicação da UFPB, pelos poetas Alexandre Palitot, Fábio Albuquerque, Linaldo Guedes e Wilton Júnior. Um dos parágrafos do manifesto, publicado pelo CORREIO na íntegra, foi incisivo: "Acreditamos que os guardanapos têm mais utilidade do que a Academia Paraibana de Poesia" (com o nome da entidade em caixa alta).
 Em reação à matéria "São os novos que falam: a poesia na Paraíba parou com a Geração 59", assinada pelo repórter Chico Noronha, disse que os quatro integrantes do Projeto Cultural Poecodebar não são "formas humanas, mas na realidade vírus. É uma trupe por muito desconhecida que veio procurando enodoar a vida da Academia Paraibana de Poesia, entidade que dirijo e é acatada pelos mais elevados nomes do Congresso Nacional, especialmente os nossos deputados e senadores".
  - Quanto à programação da nossa Casa - disse Helena Raposo ao CORREIO - aqueles quatro micróbios procurem sanear moralmente as suas vidas. Não lhes cabem este direito.
 Os integrantes do Poecodebar haviam dito na entrevista publicada no último dia 2 que a Academia Paraibana de Poesia deveria fazer concursos e publicações.
 A presidenta da entidade devolveu a provocação, dizendo ainda sobre os quatro integrantes do Poecodebar: "Poetas? Puro engano. São pobres diabos. Eles lá sabem o que significa um soneto? Desconhecem a belíssima escola sonetista Giaccomo Lentine. Nas suas palavras ensebadas, acham eles que guardanapos valem mais do que a nossa famosa Academia. Em represália, classifico-os piores que o papel higiênico".
 Helena Raposo destacou que não deseja entrar em polêmica com "aquele grupo de baixaria", mas que "é pancada contra pancada. Aqui eu paro, deixando aqueles insanos latindo e insultando os que progridem no cenário da vida pública".
 Sobre o autor da matéria, Chico Noronha, a presidenta da APP destacou: "Ele deve me conhecer, pois é jornalista tarimbado, conseqüentemente sócio da nossa Associação Paraibana de Imprensa, casa cultural a que pertenço há mais de 35 anos, sendo classificada como elemento dos mais estimados".
 A Academia Paraibana de Poesia, também conhecida como Casa Manuel dos Anjos, é reconhecida pelo Poder Executivo com personalidade jurídica e tem sede á rua Barão do Triundo, 460, Centro, em João Pessoa. Sua presidenta também enviou ao CORREIO, com pedido de publicação, o artigo "Interiorização Acadêmica", de Ricardo Bezerra, presidente do Gabinete Paraibano de Cultura (originalmente publicado no semanário O Combate, edição de 2 a 8 do corrente mês).

(Matéria publicada no jornal Correio da Paraíba, em 9 de agosto de 1992)

Timidez

em meu corpo
tua alma nua
em nós dois
o beijo de amar
e o medo de vestir o prazer na rua.

(Alexandre Palitot, Fábio Albuquerque, Linaldo Guedes e Wilton Júnior)

A poesia pode estar num guardanapo

 "A poesia pode estar em tudo", dizia Manuel Bandeira. Ele que foi o "São João Batista" do Modernismo brasileiro, na feliz expressão de Mário de Andrade. A declaração do poeta pernambucano não só diz da natureza ubíqua da poesia, tão reivindicada pelos jovens de 22, sobretudo por aqueles que seguiram, mais ou menos ao pé da letra, as diretrizes por ele estabelecidas. Por ele, pelo próprio Mário e por Oswald de Andrade, principalmente.
 Está em tudo diz também dos motivos da cotidianeidade, do pouco-a-pouco, do dia-a-dia, das coisinhas miúdas que, por esta ou aquela axiologia das poéticas, não cabiam dentro da métrica sagrada de um soneto ou mesmo no etéreo mosaico das imagens simbolistas. Está em tudo quer dizer ainda que a poesia está nas palavras, mesmo ns barbarismos universais. Daí, a novidade não somente de um veio temático múltiplo e radical, mas também de uma linguagem cuja característica maior reside na coloquialidade, com tudo que ela traz de espontâneo e informal. De repente, em território brasileiro, a escrava do Ararat estava despida. Escrava-mulher que representa a poesia na parábolado grande Mário, em "A Escrava que não é Isaura" (1925). Despida significa, na verdade, livre das regras e dos preconceitos das escolas, à disposição, portanto, do "direito permanente da pesquisa estética".
 Se esse caminho depara certos bloqueios com os chamados da "Geração 45" e mesmo com o experimentalismo da Poesia Concreta e adjacências, sofre, contudo, uma retomada, com novas características e novos rumos, a partir dos anos 70, com o que se convencionou chamar de Poesia Marginal. Uma poesia de extração contracultural em certo sentido e, num outro, de ostensivos compromissos políticos à maneira de reação verbal ao império da ditadura, posterior a 64 e, especialmente, a 68. Esteticamente, uma poesia de linguagem solta, informal, rasteira, agressiva, mas também lúdica e bem humorada, a par de uma motivação confessional, erótica, chocante, centrada sobretudo no pathus da experiência vivida. Quando em nada, pelo menos experimentada na próxima tessitura das palavras e no jogo prazeroso de criar. Criar ludicamente, num gesto que recupera a gratuidade de viver uma diminuta experiência de sonho, curtição e utopia.
 É este toque de marginalidade poética que parece sustentar, num momento bem diferente daquele, o movimento/brincadeira Poecodebar, ou seja, poesias coletivas em mesas de bares, desenvolvido pelos alunos do Decom/Departamento de Comunicação Social da UFPB: Wilton Júnior, Linaldo Guedes, Fábio Albuquerque e Alexandre Palitot.
 Face ao papel em forma de guardanapo e ao jeito meio artesanal de produção e veiculação dos poemas, na verdade uma espécie de happening lúdico-etílico-poético, percebe-se que a marginalidade persiste. Se antes pela repressão política, hoje pela recessão econômica, ou, quem sabe, pelo simples prazer da opção. Marginalidade, aqui, tomada num sentido menos datado historicamente. Mas apenas no que pode tocar à procura de novas alternativas e de novos espaços para a viabilização da palavra poética. Por exemplo: a poesia fora do livro; a poesia fora da biblioteca. Por exemplo: a poesia no parque, a poesia na rua, a poesia nos bares...
 Ora, super válido!
 Que mais quer um poeta senão dizer e mostrar sua poesia ao mundo. Dizê-la e mostrar sua poesia ao mundo. Dizê-la e mostrá-la através de molduras diferentes, eis um outro desejo do poeta. Expressar-se, não é precisamente isto que todos queremos? Quanto mais se formos poetas... Até porque expressar-se é um direito. Pois bem, os poetas do Poecodebar têm mesmo é que fazer valer o seu direito: ousando, inventando, livremente, quer a crítica fale ou silencie.
 Pela mostra do Nº 3, contando com a colaboração de Wilton Júnior, Linaldo Guedes, Fábio Albuquerque, Alexandre Palitot, Rogéria Araújo, Gerimaldo Nunes, Livaneide Guedes, Gustavo Magno e Elionaldo Varela, creio que alguma coisa acontece...
 De saída, o recorte metalingüístico privilegiando as sinuosidades da dicção lírica. A propósito, o que vem demarcando por excelência o discurso dessa já longeva modernidade. E, curioso: algo nem tão informal assim, mas todo argamassado numa modulação presidida pela contensão do ritmo e pela adequação vocabular, como se pode ver em "Versidade", poema de Wilton Júnior: "à noite/ não sou/ nada mais/ que papel em branco/ ou rascunho/ de um poema incompleto:/ é quando o poeta se camufla/ à espera da presa/ - o próximo verso". Na seqüência de metalinguagem, os textos "A prosa", de Linaldo Guedes, e "Artvício", de Rogéria Araújo, ambos, no entanto, sem a densidade e o equilíbrio literários do exemplo anterior. O primeiro demandaria um trabalho rítmico e alguma seletividade lexical; o segundo, em que pese a fusão sujeito/objeto para metamoforizar o processo criativo no plano da idéia, não convence enquanto elaboração lingüística.
 De outra parte, garante um bom nível de literariedade o poema "Plágio", de Fábio Albuquerque, sobremaneira pelo impacto das imagens, imagens inventivas, e pela cadência anafórica dos paralelismos. Vejamos as duas primeiras estrofes: "deus/ você precisa sair da taberna/ pegar um ônibus/ e sentar-se à esquerda dos demônios/ deus/ você precisa ouvir os berros da mãe/ suportar minha mão viciosa sobre teu corpo/ e declamar toda tua solidão num guardanapo". Pena que a última estância do texto não carregue, do ponto de vista imagético, o vigor que vinha demonstrando.
 O erotismo de Elionaldo Varela, por sua vez, tem o gosto da fruição lúdica derramado na brincadeira, com as palavras, embora as imagens cedam ao lugar comum de certa tradição da lírica romântica, o que de certa forma se dá também com o poema "Inverno", assinado por Linaldo Guedes e Wilton Júnior.
 Decerto os desacertos, neste ou naquele texto, decorrem da gratuidade do artefazer do Poecodebar. No entanto, não se pode negar que a poesia, sobremaneira a poesia enquanto dimensão lúdica do viver e resistência utópica e cultural, não se patenteie por entre os versos coletivos nascidos nas mesas de nossos bares. É bom descobrir que um guardanapo tem outras serventias.

Hildeberto Barbosa Filho - Crítico e Professor da UFPB

(Texto publicado no jornal O Norte, em 2 de agosto de 1992)

Sinopse

nenhum homem vive só...
além de sua sombra
e seu copo
ele tem sempre alguém para pensar

nenhum homem vive só...
além de sua alma
e sua bebida
ele está sempre em alguém do outro lado do mar.

(Alexandre Palitot, Fábio Albuquerque, Linaldo Guedes, Wilton Júnior)

Um manifesto à poesia marginal

Ricardo Anísio

 Nossa cidade tem vivido diversos movimentos artísticos nos últimos anos. A música em sua produção local-louca-nivelada chega até a batizar o Sesc de Templo da MPB. Os artistas plásticos arengam para dividir mercado e poder. O teatro fatura prêmios nacionais e convence até os leigos de que é válido investir na nossa arte cênica. Mas uma coisa ninguém pode negar: a literatura, a poesia principalmente, ficou escanteada, dependendo da produção marginal, dos sonhadores maravilhosos e suas arrojadas luas.
 Foi da necessidade de preencher esta lacuna poética, que os alunos do curso de Comunicação Social da UFPB, Linaldo Guedes, Alexandre Palitot, Fábio Albuquerque e Wilton Júnior explodiram em seu projeto Pocodebar. Versos na mesa de bar. Versos nos guardanapos. Coisa muito boa desses malucos indispensáveis à paisagem cultural da cidade. Coisa de gente sensível que muda quando é lua cheia. Um movimento que deve sacudir a produção poética e, quem sabe, estimular as autoridades a traçarem um programa editorial ao mesmo tempo em que Gestos Lúcidos, de Sérgio de Castro Pinto, completa 25 anos e que Caetano Veloso emplaca meio século de vida.

(Artigo publicado no jornal O Norte, edição de 2 de agosto de 1992)

O riacho

nesse riacho que me leva
sou o córrego vermelho
que teme as pedras

nesse riacho que me esconde
sou a correnteza parada
que engole os peixes

(num dia de sol
a cachoeira deu o bote
no coração do riacho moreno).

(Alexandre Palitot, Fábio Albuquerque, Linaldo Guedes, Wilton Júnior)

Palavreado

pequei
porque
parei
para
pensar

pensei
pouco
porém
por ti
pequei

perdi o
pudor e
preferi
parar
para
te amar.

(Alexandre Palitot, Fábio Albuquerque, Linaldo Guedes, Wilton Júnior)

Poecodebar

Segunda-feira, no campus da UFPB, Linaldo Guedes, Fábio Albuquerque e outros novos poetas lançarão um manifesto de 61 linhas e três doses (Poecodebar) que é uma metralhadora pura.
Um trecho: "Bastam os dinossauros! Por todos aqueles que não querem sentar no banco dos réus da crítica literária! Porque estamos putos e não existe sociedade mais puta que a dos poetas anônimos".

Petrônio Souto e equipe

(Nota publicada na coluna Enfoque, do jornal Correio da Paraíba, em 1 de agosto de 1992)

Utopia

em teu mundo tudo é perfeito
e quando chegas disfarçada
de realidade
eu me faço fantasma
de um modo desabitado

viajando desprevenido
alimento meu ego perdido
viajando alucinado
fujo do certo e busco o errado
procurando o sonho
dentro do pesadelo inusitado.

(Alexandre Palitot, Fábio Albuquerque, Linaldo Guedes, Wilton Júnior)

São os novos que falam

"A poesia na Paraíba parou com a Geração 59"

Chico Noronha

"Pelo que conhecemos da poesia na Paraíba, ela parou com a Geração 59. A mídia não abre espaços para os novos". Quem analisa assim é o poeta Wilton Júnior, um dos jovens rapazes integrantes do Projeto Cultura Poecodebar, que estará lançando amanhã, a partir das 9h00, o seu terceiro guardanapo meio panfleto poético em meio a um mini-agito cultural que mobilizará ainda atores, videastas, músicos e outros poetas interessados em remexer o caldeirão da poesia paraibana. O local escolhido não poderia ser mais autêntico: a famosa Sala Preta do Departamento de Comunicação da UFPB.
Os quatro rapazes que fazem uma poesia chamada de nova, podem até ser chamados de atrevidos, por conta de tantas críticas que fazem às figuras já consagradas e aos espaços devidamente ocupados. Podem até pensar que trata-se de rebeldia natural a todo jovem, mas na verdade eles estão levando tanto a poesia como tudo que gira ao seu redor muito à sério. São estudantes do Decom, sim, e querem que até mesmo os espaços já conquistados pelos nomes conhecidos sejam ocupados por todo aquele que se considera poeta. A marca da inquietação os acompanha desde o momento em que decidiram fazer poesia juntos. De imediato, surgiu o nome Poecodebar, referindo-se a poemas coletivos de guardanapo, mas por sugestão do professor Jomard Muniz de Brito, incentivador do grupo nos bancos da universidade, recebeu um título mais abrangente.
Por que logo um bar? Sempre surge esse tipo de pergunta, à medida em que a proposta vai ficando conhecida além corredores do borbulhante Decom. "Geralmente, a primeira idéia de se fazer poesia surge num bar. Conosco aconteceu assim. Alguém teve a idéia de rolar um guardanapo para fazer um poema e quando menos esperávamos surgiram 50 poemas", esclarece Fábio Albuquerque. Além dele, viveram este momento Linaldo Guedes, Wilton Júnior e Alexandre Palitot. E o mais interessante nesta história é que esse encontro ocorreu no dia 5 de agosto de 1990, plena Festa das Neves, numa das suas barracas que revendem bebida e cachorro quente. Portanto, o grupo está comemorando 2 anos de atividades esta semana, com alguma bebida, alucinações confessadas poeticamente e algumas constatações.
O convite para o agito cultural de amanhã, como não poderia deixar de ser, lembra um guardanapo. Eles passaram um ano parados, mas agora retornaram com a corda toda. É que são colegas da mesma turma e Fábio, por exemplo, teve que desligar-se do meio lúdico para servir o quartel, como qualquer rapaz da sua idade. Ainda durante o ano de 1990, eles fazem questão de lembrar, foram lançados os dois primeiros números do Poecodebar, paralelo aos evento Abismos III, de Jomard Muniz de Brito. A partir desses eventos é que aconteceu a parada. Mas a poesia já tinha lhes contaminado com o seu veneno, o tempo iria confirmar essa verdade depois. Hoje, são poetas assumidos, quer os acadêmicos queiram ou não, quer a crítica referende a chegada do grupo ou não.
Em meio aos preparativos para o lançamento do terceiro guardanapo, eles explicavam essa paixão. "Cada um tem seu trabalho individual. A poesia está no nosso sangue. Comigo já vinha antes mesmo de ser jornalista. Os outros já faziam poesia", reforça Wilton. "Fazer poemas a 8 mãos é uma tarefa de certo modo original. Isso deve ocorrer em qualquer lugar do mundo, mas na Paraíba...", acrescenta Fábio. Os rapazes não querem perder oportunidade alguma para destacar que a mídia mantêm as portas fechadas aos poetas, principalmente aos chamados novos. Como forma de bem conviver com esta realidade, neste guardanapo eles dão o exemplo e abrem espaços para mais gente que vive fazendo poesia. "Não queremos desvalorizar o velho, passar por cima da experiência desse pessoal, mas achamos que falta espaço para o novo", avisa Wilton, sem medo de se repetir, enquanto Fábio destaca que "depois deles tudo o que aconteceu de novo, simplesmente parou. Nós queremos continuar".
Os componentes do Poecodebar referem-se aos poetas da festejada Geração 59, que deu à poesia paraibana repercussão nacional com a conquista de premiações importantes. Conhecem a produção de 59 e a afirmação de Sérgio de Castro Pinto, numa entrevista recente, de que na Paraíba há mais poetas do que poesia. Não ficaram magoados. Fábio Albuquerque até escreveu um artigo publicado no CORREIO pedindo espaço para que os novos possam mostrar competência. "Existem tantos poetas escondidos, com seus trabalhos engavetados, com medo de serem julgados pelos nomes consagrados", testemunha. Já Wilton Júnior prefere não polemizar: se os novos lançados agora forem competentes, o tempo dirá. Basta haver um espaço necessário.
Mesmo iniciantes, eles acreditam que já adquiriram "um certo nível" para fazerem tal reivindicação. "A geração Poecodebar procura mostrar que a poesia não morreu em 59, sem tirar o mérito de ninguém", enfatiza Wilton. Na verdade, eles já leram Sérgio de Castro Pinto, Marcos Tavares, Políbio Alves, Jomard Muniz de Brito, gente da Geração 59, Grupo Sanhauá, todos poetas que devem servir de referência para o novo poeta. Sobre a crítica literária, no manifesto que será lançado também amanhã, eles falam a respeito dela. "Já que a crítica veio para julgar, não nos achamos réus. A crítica deve servir para analisar, pois julgar é um ato precipitado", sentencia Wilton. Já o poeta Fábio indaga: Afinal, quem é o poeta? Quem faz poesia ou quem tem um livro na praça? Por sinal, eles questionam uma realidade bem pessoense, devido a proliferação de livros de poesia na cidade.
Fábio considera ainda que "o grande mal da crítica é ela ser tão crítica, principalmente em relação aos novos". Quando falam sobre a Academia Paraibana de Poesia, eles costumam ser mordazes. "Acreditamos que os guardanapos têm mais utilidade do que a Academia. Deveria haver concursos, publicações. Os 80 anos do livro de Augusto dos Anjos acontecem agora e não fazem nada, essa é mais uma prova da inutilidade da instituição", dizem em uníssono: o guardanapo você pode usar das mais diversas formas.
Para o agito cultural da segunda-feira, os poetas chamaram outras áreas. Os vídeos "Tupan, a Fúria do Sol", de Elinaldo Rodrigues, "Bororó 2000, da Utopia ao Vale de Lágrimas", de Francisco Sátiro, serão exibidos. Acontecerá ainda uma exposição de poemas nos corredores do Decom, performances teatrais reunindo os atores Gerimaldo Nunes, Vlamir Marques, Tatiana Barbosa e José César, além de shows musicais com Jamacy (ex- Sombras Dolentes), Gustavo Magno e João Barbosa.

(Matéria publicada no jornal Correio da Paraíba, em 2 de agosto de 1992)

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